COLÉGIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE / DN
Associado à SBPC - Gestão 2007/2009
COMUNICADO 002/2009/DN – 20 de janeiro de 2009
Prezados(as) Associados(as),
No período de 27 de janeiro a 1 de fevereiro de 2009 será realizado em Belém-PA, na Universidade Federal do Pará e na Universidade Federal Rural da Amazônia, o Fórum Social Mundial - FSM.
O Fórum é um espaço de encontro plural, não-governamental e não-partidário, que estimula, de forma descentralizada, o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas. Constitui-se como um movimento permanente de busca e construção de alternativas às políticas neoliberais, visando à construção de um mundo mais solidário, democrático e justo. Esta definição está na Carta de Princípios, principal documento do FSM -
ver: www.forumsocialmundial.org.br.
O Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte participou das três primeiras edições do Fórum Social Mundial e integrou, em 2008, a organização do Fórum Mundial de Educação, por meio da Secretaria Estadual do CBCE do Rio Grande do Sul, pautando o debate em torno da Educação Física e Ciências do Esporte.
Para esta edição estamos reeditando o Manifesto do CBCE apresentado à edição do Fórum Social Mundial de 2002. Este documento representa o anseio de nossa comunidade “em defesa do Direito Social inalienável de acesso ao universo das Práticas Corporais". Para tanto, além de entregá-lo oficialmente ao Comitê Organizador do Fórum, pretende-se reproduzi-lo – em português, espanhol, inglês e francês – e fazer sua distribuição junto aos participantes do Fórum através da Secretaria Estadual do CBCE do Pará.
Por fim, destacamos que o FSM 2009 vai dar seguimento a uma série de ações de comunicação compartilhada, o que permitirá o acompanhamento a distância de parte de suas atividades - acesse:
Direção Nacional do CBCE
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Veja abaixo o Manifesto ao FSM:
MANIFESTO EM DEFESA DO DIREITO SOCIAL INALIENÁVEL DE ACESSO AO UNIVERSO DAS PRÁTICAS CORPORAIS
O Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), associação científica de caráter multidisciplinar, reconhece, em sua história, uma parte viva da própria história da organização social e política da sociedade brasileira, amparada por princípios ético-políticos caros aos que aspiram por um Brasil justo e democrático. Esta história se traduziu, em seu interior, na busca por um fazer científico de claro comprometimento social, firmando-se como instância organizativa da comunidade acadêmica da área e constituindo-se em espaço de referência na reflexão, produção e socialização das questões circunscritas ao âmbito dos setores com os quais guarda proximidade, como os da Educação, Saúde e Esporte, dentre outros.
O CBCE reforça a importância histórica do Fórum Social Mundial e se une a este processo de reflexão coletiva acerca dos grandes desafios globais, opondo-se ao pensamento único e ao modelo social predominante, valorizando a diversidade e as múltiplas possibilidades de se construir um mundo melhor.
O CBCE acredita neste Fórum como parte importante do processo de luta contra os ataques aos direitos humanos universais, contra a submissão do ser humano aos interesses do capital e contra a globalização de cunho neoliberal que atinge todas as nações e a natureza, opondo-se a toda visão totalitária e reducionista da história e à violência como meio de controle social.
O CBCE identifica-se com a democracia como caminho para atingir os objetivos voltados à construção de propostas, plataformas e alternativas que já vêm sendo discutidas por redes, movimentos e no interior de organizações da sociedade civil empenhadas na construção de uma sociedade centrada na emancipação humana, compreendendo que "um outro mundo é possível".
De acordo com tais princípios que partilha com este Fórum, o CBCE repudia o processo crescente de mercadorização das Práticas Corporais (dentre elas o Esporte, a Ginástica, a Dança e as Artes Marciais), bem como do conhecimento produzido acerca destas por parte dos governos subordinados aos ditames neoliberais inerentes ao mercado e a globalização, além do posicionamento de setores da Educação Física brasileira que negam o caráter histórico-social das práticas corporais e apontam para um reducionismo naturalista desta produção humana, restringindo-a unicamente aos parâmetros da aptidão física para a saúde e do rendimento esportivo, inclusive no âmbito escolar.
O CBCE reafirma a defesa do reconhecimento e do acesso às Práticas Corporais como direito social inalienável de todos os povos, parte importante do patrimônio histórico da humanidade e do processo dialético de construção da individualidade humana, devendo ser garantido por Estados Nacionais Soberanos.
Belém, janeiro de 2009.